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Apple processa OpenAI por roubo de segredos comerciais de hardware de IA

Milena Oliveira
tecnologia 3 min de leitura
Interior de tribunal moderno com documentos jurídicos e martelo sobre mesa de madeira durante processo judicial de tecnologia

A Apple entrou com uma ação judicial contra a OpenAI em um tribunal federal da Califórnia, nos Estados Unidos, acusando a empresa criadora do ChatGPT de roubo sistemático de segredos comerciais relacionados ao desenvolvimento de dispositivos de inteligência artificial. O processo, registrado em 10 de julho de 2026, aponta mais de 400 ex-funcionários da Apple que hoje atuam na OpenAI e descreve o que a fabricante do iPhone classifica como uma "campanha coordenada" para extrair tecnologia confidencial.

Acusações envolvem executivos de alto escalão

A petição judicial cita diretamente dois ex-funcionários da Apple em posições estratégicas na OpenAI. Tang Tan, antigo vice-presidente da Apple e atual chefe de hardware da OpenAI, é acusado de ter orientado candidatos que ainda trabalhavam na Apple a compartilhar informações confidenciais durante processos seletivos. Segundo o processo, Tan teria instruído candidatos a levar "peças reais" de produtos da Apple para suas entrevistas na OpenAI.

O segundo nome citado é Chang Liu, ex-engenheiro sênior de sistemas elétricos da Apple, que teria ingressado na OpenAI em 2026. De acordo com a acusação, Liu não devolveu um notebook corporativo da Apple após sua saída e utilizou o equipamento para acessar e baixar dezenas de arquivos confidenciais, muitos deles com a marcação "confidencial".

De parceiros a rivais no mercado de hardware

O processo representa uma reviravolta nas relações entre as duas empresas, que firmaram uma parceria de destaque em 2024 para integrar inteligência artificial aos produtos da Apple. A relação deteriorou-se após a OpenAI anunciar seus planos de entrar no mercado de hardware, concretizados com a aquisição da io Products — startup fundada pelo ex-designer da Apple, Jony Ive — por US$ 6,4 bilhões.

Para a Apple, a movimentação da OpenAI para o segmento de dispositivos físicos não foi uma evolução natural de negócios, mas sim um esforço deliberado para replicar tecnologias proprietárias usando conhecimento obtido de forma indevida por meio de contratações estratégicas de seus engenheiros.

Resposta da OpenAI e desdobramentos jurídicos

Em nota oficial, a OpenAI negou todas as acusações. "Não temos nenhum interesse nos segredos comerciais de outras empresas. Permanecemos focados em construir tecnologia inovadora que capacita pessoas em todo o mundo", afirmou a empresa. A declaração, no entanto, não abordou diretamente as alegações específicas contra Tang Tan e Chang Liu.

O caso tramita na justiça federal do distrito norte da Califórnia e pode ter implicações significativas para o setor de tecnologia, especialmente em relação às práticas de recrutamento entre grandes empresas do Vale do Silício. Especialistas jurídicos apontam que o processo pode criar precedentes sobre os limites da mobilidade de talentos em setores que lidam com propriedade intelectual sensível.

Impacto na corrida global por hardware de IA

A disputa judicial surge em um momento em que a indústria de tecnologia vive uma intensa corrida pelo desenvolvimento de chips e dispositivos dedicados à inteligência artificial. Com a OpenAI planejando lançar seus próprios aparelhos para consumidores — projeto que teria se beneficiado dos conhecimentos trazidos pelos ex-funcionários da Apple — o resultado do processo pode redefinir as regras de competição no segmento de hardware voltado a IA.

A ação também levanta questões sobre a sustentabilidade do modelo de crescimento acelerado por meio de contratações agressivas, prática comum entre as gigantes de tecnologia. Para a Apple, que sempre adotou sigilo rigoroso em torno de seus projetos, o caso é uma tentativa de proteger não apenas tecnologias específicas, mas toda uma cultura corporativa de confidencialidade.

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