
O corpo dos governos tem dois braços: um abraça, o outro castiga
Demorou, mas chegamos a uma época de um outro Brasil, parecido com o de antes, da exceção. Um país medroso. O Estado torna-se em multi-corpo de dois braços: cada lado escolhe o seu, o esquerdo ou o direito, não importa qual, o corpo é o mesmo. É um Estado onde ser professor é vergonhoso, policial é medo, bandido é status, jornalista é incerteza, político é marca e pexa, cidadão é penoso e doutor é o único que se salva. Os braços regem a lei, a batuta impõe o ritmo, o braço da vez abraça ou castiga e cada dia desemboca em alternativas sem saída.


