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FMI revisa inflação global para 4,7% e reduz previsão de crescimento para 2026

Milena Oliveira
economia 3 min de leitura
Navios petroleiros no Estreito de Ormuz ao entardecer, refletindo a crise energética global

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou pela terceira vez consecutiva a projeção de inflação global para 2026, agora em 4,7%, e reduziu a estimativa de crescimento econômico mundial para 3,0%, segundo a atualização do World Economic Outlook divulgada em 8 de julho. O relatório, intitulado "Economia Global nas Correntes Cruzadas da Guerra e da Tecnologia", aponta o conflito no Oriente Médio e o fechamento parcial do Estreito de Ormuz como principais vetores de pressão sobre os preços de energia.

Inflação em alta pela terceira revisão consecutiva

A previsão de inflação global passou de 3,8% em janeiro para 4,4% em abril e agora para 4,7% em julho — a terceira revisão consecutiva para cima desde a publicação de outubro de 2025. A tendência de desinflação observada desde o início de 2024 estagnou, segundo o FMI. Para 2027, a projeção é de 3,9%.

O aumento nos preços do petróleo bruto, estimado em 32% em relação aos níveis pré-conflito, é o principal fator. O índice global de petróleo deve atingir uma média de US$ 89 por barril, ante os US$ 62 estimados antes do agravamento das tensões na região.

Crescimento global desacelera para 3,0%

A projeção de crescimento do PIB mundial foi revisada de 3,1% em abril para 3,0% em 2026, com recuperação prevista para 3,4% em 2027. A desaceleração reflete o impacto do conflito no Oriente Médio, parcialmente compensado pelo impulso da demanda no ciclo tecnológico global, impulsionado pelos avanços em inteligência artificial.

Os Estados Unidos devem crescer 2,3% em 2026. A zona do euro teve sua projeção reduzida para 1,1%, ante 1,3% estimados em janeiro. A região do Oriente Médio e Norte da África deve registrar contração de 0,5%, com o Irã enfrentando queda de 5,4% e a Arábia Saudita tendo sua previsão cortada de 4,5% para 3,1%.

Estreito de Ormuz e o choque energético

O Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% do suprimento global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL), tornou-se o epicentro da crise energética. O fechamento parcial da passagem estratégica elevou o preço do barril de Brent acima de US$ 87, com prêmio de risco geopolítico sustentado. O choque pesa especialmente sobre os países importadores de energia e economias vulneráveis.

Inteligência artificial como contrapeso

Em contraste com o cenário de guerra, a adoção acelerada de inteligência artificial tem sustentado a demanda em países integrados à cadeia de valor tecnológica global. O FMI reconhece que o impulso gerado pela IA foi o principal fator a compensar parcialmente os efeitos negativos do conflito sobre o crescimento. Energias renováveis já representam mais de 30% da geração elétrica mundial, mas a transição ainda não é suficiente para blindar a economia global contra choques nos preços de combustíveis fósseis.

Bancos centrais em compasso de espera

O Banco Central Europeu (BCE) elevou a taxa de depósito em 25 pontos-base em junho, para 2,25%, sem sinalizar flexibilização. Nos Estados Unidos, a queda nos pedidos de seguro-desemprego mantém o Federal Reserve sem espaço para cortar juros. Segundo análises anteriores do FMI, o aumento nos gastos com defesa tende a piorar os déficits fiscais em até 2,6 pontos percentuais e elevar a dívida pública em 7 pontos percentuais no prazo de três anos.

O cenário traçado pelo FMI reforça a tensão entre os riscos geopolíticos e o potencial transformador da tecnologia. Enquanto o conflito no Oriente Médio mantém a inflação acima do desejado e freia o crescimento, os avanços em IA representam a principal alavanca de recuperação para as economias integradas ao setor. A próxima atualização completa do World Economic Outlook está prevista para outubro de 2026.

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