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Boletim Focus: inflação de 2026 recua pela primeira vez após 15 semanas de alta

Milena Oliveira
economia 2 min de leitura
Painel digital exibindo gráficos financeiros e indicadores econômicos do mercado brasileiro

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (7) trouxe a primeira redução na projeção de inflação para 2026 em 15 semanas, com a mediana do IPCA caindo de 5,33% para 5,30%. A expectativa para a taxa Selic foi mantida em 14% ao ano, e o crescimento do PIB segue projetado em 1,99%.

Primeira queda após 15 semanas de alta

A redução na projeção do IPCA marca um alívio pontual após um período de 15 semanas consecutivas de revisões para cima, durante o qual a estimativa saiu de cerca de 4,9% e atingiu 5,33%. Embora a queda seja modesta — apenas 0,03 ponto percentual —, ela sinaliza uma possível estabilização das expectativas inflacionárias, fator acompanhado de perto pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

Para 2027, no entanto, o movimento foi inverso: a projeção do IPCA subiu marginalmente de 4,17% para 4,18%, acumulando sete semanas consecutivas de ajustes para cima. Já as projeções para 2028 e 2029 permaneceram estáveis em 3,70% e 3,50%, respectivamente — esta última sem alteração há 44 semanas consecutivas.

Selic em 14%: juros seguem entre os mais altos do mundo

A taxa Selic projetada para o final de 2026 foi mantida em 14% ao ano, refletindo a postura restritiva do Banco Central para conter a inflação acima da meta. Para 2027, a expectativa é de queda para 12%, e para 2028, para 10,50%, indicando um ciclo gradual de afrouxamento monetário nos próximos anos.

O patamar atual dos juros, um dos mais elevados entre as principais economias do mundo, tem impacto direto sobre o crédito, o consumo das famílias e o investimento produtivo no país. Com a Selic a 14%, o custo de financiamento permanece elevado, pressionando setores como construção civil e varejo.

PIB cresce abaixo de 2% em cenário de cautela

Os economistas consultados pelo BC mantiveram a projeção de crescimento do PIB em 1,99% para 2026, praticamente estável em relação às semanas anteriores. Para 2027, a estimativa subiu ligeiramente, de 1,68% para 1,69%.

O cenário de expansão moderada reflete os efeitos dos juros elevados sobre a atividade econômica, além de incertezas no ambiente fiscal e no comércio internacional. A projeção de crescimento de 2028 permanece em 2% há 121 semanas consecutivas, um sinal da rigidez das expectativas de longo prazo.

Câmbio estável e próximos passos

A projeção para o câmbio em 2026 permaneceu em R$ 5,20 por dólar, sem alteração em relação à semana anterior. Para os próximos anos, o mercado espera uma depreciação gradual do real, com estimativas de R$ 5,28 em 2027 e R$ 5,35 em 2028.

O mercado financeiro agora aguarda a próxima reunião do Copom e os dados de inflação dos próximos meses para avaliar se a tendência de estabilização das expectativas se consolida. A divulgação do IPCA de junho, prevista para esta semana, será um indicador decisivo para confirmar ou reverter o leve otimismo registrado no boletim desta segunda-feira.

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