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Brasil conquista 3 Grand Prix e 62 Leões no Cannes Lions 2026

Milena Oliveira
cultura 3 min de leitura
Palco de cerimônia de premiação internacional com troféus dourados em formato de leão sob holofotes

O Brasil encerrou sua participação no Cannes Lions 2026, o maior festival de criatividade do mundo, com 62 Leões e três Grand Prix — o prêmio máximo da competição. O resultado, anunciado nesta quinta-feira (26), consolida o país entre as potências globais da publicidade, apesar de uma queda no número total de prêmios em relação aos 95 Leões conquistados em 2025, após a revogação de parte das premiações daquela edição.

"Podia ser uma Heineken" lidera a delegação brasileira

A campanha "Podia ser uma Heineken", criada pela LePub São Paulo em parceria com o escritório da agência em Milão, foi o principal destaque brasileiro com nove Leões, incluindo o Grand Prix de Social & Creator. A ideia transformou mensagens de voz longas no WhatsApp em convites para encontros presenciais: usuários adultos podiam enviar áudios com mais de três minutos a um bot privado e criptografado e, em troca, recebiam um voucher para uma cerveja gratuita e recomendações de bares próximos.

A ação também conquistou Ouros nas categorias Media, Direct, Outdoor e Brand Experience & Activation, consolidando-se como a campanha brasileira mais premiada desta edição.

Gramado do Pacaembu vira código de barras gigante

O segundo Grand Prix brasileiro veio com "Cupom em Campo", da agência GUT São Paulo para o Mercado Livre. A campanha transformou o gramado do estádio do Pacaembu em um código de barras gigante de 104 metros, escaneável por torcedores que recebiam cupons de 25% de desconto. A ação uniu tecnologia de geolocalização, paixão pelo esporte e conversão de varejo, conquistando o Grand Prix de Outdoor, duas Pratas em Direct e Media, e um Bronze adicional em Outdoor.

"Nigrum Corpus" denuncia racismo na saúde e conquista o Glass Lion

O terceiro Grand Prix brasileiro foi o mais emblemático. "Nigrum Corpus", criado pela Artplan para a IDOMED e o Instituto Yduqs, venceu a categoria Glass: The Lion for Change, que reconhece trabalhos que promovem equidade e transformação social. O projeto é um livro educacional que expõe os impactos do racismo estrutural na formação e na prática médica no Brasil — país onde, segundo o projeto, pacientes negros têm seis vezes mais chances de sofrer erros médicos, mesmo representando 55% da população.

A iniciativa foi adotada por 17 instituições de ensino e chegou às mãos do ministro da Saúde. Além do Grand Prix, o case levou um Bronze em Creative Data.

Queda no volume, mas presença no topo

Com 62 Leões — sendo 3 Grand Prix, 13 Ouros, 20 Pratas e 26 Bronzes —, o Brasil registrou uma queda expressiva em relação a 2025. O recuo acompanha uma tendência do próprio festival, que endureceu critérios de premiação: as inscrições brasileiras, por exemplo, caíram 41%, de 2.684 para 1.593 cases. Ainda assim, a presença de três campanhas brasileiras no topo das categorias mais disputadas reforça a relevância criativa do país no cenário internacional.

Outros destaques brasileiros no festival

Entre as demais campanhas premiadas, "Pedigree Caramelo", da AlmapBBDO, conquistou cinco Leões, incluindo Ouro em Creative Effectiveness. A "Limpa Nome", da Droga5 para a marca Cif, levou Ouro em Brand Experience & Activation. Já "Uma Agente Como a Gente", da Ogilvy para o Magazine Luiza, recebeu Bronze pelo uso inovador de inteligência artificial conversacional no atendimento ao consumidor.

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