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Copom corta Selic para 14,25%, mas Brasil segue com o maior juro real do mundo

Milena Oliveira
economia 3 min de leitura
Edifício do Banco Central do Brasil em Brasília com painel de gráficos financeiros em queda

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,5% para 14,25% ao ano em decisão unânime na terça-feira (17), marcando o terceiro corte consecutivo desde março. Apesar do alívio nos juros, o Brasil permanece com a maior taxa de juros real do mundo, estimada em 9,67%, segundo levantamento das consultorias MoneYou e Lev Intelligence.

Ciclo de cortes após pico de quase duas décadas

A Selic atingiu 15% ao ano em junho de 2025, o patamar mais alto em quase 20 anos, e permaneceu nesse nível até março de 2026. A partir de então, o Copom iniciou um ciclo gradual de reduções: o primeiro corte, para 14,75%, ocorreu em março; o segundo, para 14,5%, veio em abril; e agora, em junho, a taxa chegou a 14,25%.

Os cortes de 0,25 ponto percentual a cada reunião refletem a cautela do comitê diante de um cenário inflacionário ainda pressionado. Dos nove assentos do Copom, dois permanecem vagos, aguardando indicação presidencial.

Inflação supera o teto da meta

O IPCA, índice oficial de inflação, registrou alta de 0,58% em maio, desacelerando em relação aos 0,67% de abril. No acumulado de 12 meses, porém, a inflação alcança 4,72% — acima do teto de tolerância de 4,5% definido pelo sistema de metas, que prevê centro de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com economistas do mercado, projeta inflação de 5,3% para o fim de 2026, sinalizando que a trajetória de queda nos juros pode encontrar limites caso os preços não cedam de forma mais consistente.

Acordo EUA-Irã reduz pressão sobre preços de energia

O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, assinado em 15 de junho, também influenciou as expectativas do mercado para a decisão do Copom. O entendimento diplomático encerrou o bloqueio naval americano sobre as exportações iranianas no Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto da produção global de petróleo.

O petróleo WTI recuou para aproximadamente US$ 74 por barril, o menor nível em meses. A queda nos preços de energia tende a aliviar a pressão sobre combustíveis e alimentos no Brasil, dois componentes de peso no cálculo da inflação.

Impacto no crédito e na atividade econômica

O ciclo de flexibilização monetária traz consequências diretas para o custo do crédito no país. Com a Selic em queda, financiamentos imobiliários, empréstimos pessoais e crédito empresarial tendem a ficar gradualmente mais acessíveis, embora o repasse das reduções aos consumidores ocorra com defasagem. O Banco Central projeta crescimento de 1,6% do PIB para 2026, enquanto o mercado estima expansão de 1,85%.

O que esperar dos próximos meses

Em comunicado, o Copom afirmou que "a inflação tem acelerado nas divulgações mais recentes" e reforçou a necessidade de monitorar os efeitos da política fiscal doméstica sobre a condução da política monetária em um "ambiente de maior incerteza".

A próxima reunião do comitê está marcada para 4 e 5 de agosto de 2026. O mercado acompanha com atenção se o ritmo de cortes será mantido ou se o Copom optará por uma pausa, considerando que a inflação corrente ainda se encontra fora da faixa de tolerância.

Enquanto isso, o Brasil segue em posição singular no cenário global: com juro real de 9,67%, supera Rússia (9,31%), Turquia (5,57%), México (5,1%) e África do Sul (3,74%), segundo o ranking atualizado.

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