Equipes brasileiras conquistam pódio inédito na RoboCup 2026 na Coreia do Sul
Equipes brasileiras alcançaram resultados inéditos na RoboCup 2026, a maior competição de robótica autônoma do mundo, realizada entre 30 de junho e 6 de julho em Incheon, na Coreia do Sul. A equipe RobôCIn, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), conquistou o vice-campeonato mundial na categoria Small Size League, enquanto estudantes do Distrito Federal trouxeram dois troféus da RoboCupJunior. O evento reuniu mais de 3 mil participantes de 45 países.
RobôCIn da UFPE faz história na Small Size League
A equipe RobôCIn, do Centro de Informática (CIn) da UFPE, alcançou o segundo lugar na divisão A da Small Size League (SSL), categoria que simula partidas de futebol com robôs totalmente autônomos. O resultado é inédito para o Brasil na principal divisão da modalidade, na qual a equipe enfrentou tradicionais potências da robótica como Alemanha, China e Japão.
Fundada em 2015 e composta por dezenas de estudantes de diversos cursos da UFPE, a RobôCIn já acumula mais de 15 premiações em competições nacionais e internacionais. Na edição anterior, a equipe havia sido bicampeã na divisão B da SSL, o que garantiu a promoção para a divisão principal.
Além do vice-campeonato na SSL, a equipe pernambucana também obteve o quinto lugar na categoria 2D Simulation e o nono lugar na Humanoid League, na qual participou pela primeira vez. A professora Edna Barros, do CIn-UFPE, destacou a importância do investimento em formação: "A melhor forma de lidar com essa tecnologia é investindo na formação de talentos nas universidades, que podem transformar tudo".
Estudantes do Distrito Federal brilham na RoboCupJunior
Na RoboCupJunior, voltada para estudantes do ensino médio, o Clube de Robótica da EduSesc Taguatinga Norte conquistou dois troféus na categoria OnStage, que avalia criatividade, programação e apresentação artística com robôs. A equipe obteve o terceiro lugar na competição principal, entre 25 equipes de 21 regiões do mundo, e o primeiro lugar no desafio SuperTeams, no qual competiu ao lado de estudantes da Áustria e de Singapura.
O grupo apresentou o robô Anbot, construído a partir de lixo eletrônico e equipamentos descartados, em uma encenação que uniu tecnologia ao folclore brasileiro. Na performance, o robô interpretou um assistente de pesquisador mapeando a Amazônia e interagiu com o Curupira, personagem da mitologia indígena associado à proteção da floresta.
Foi a primeira vez que uma equipe da região Centro-Oeste do Brasil participou do torneio, que existe desde 1997. O estudante Caio Lima, de 17 anos, resumiu a conquista: "Voltar com dois troféus é uma sensação difícil de explicar. É uma conquista que representa toda a nossa equipe, nossos professores e a EduSesc".
Impacto para a robótica e a educação no Brasil
Os resultados na RoboCup 2026 consolidam o Brasil como referência crescente na robótica mundial e reforçam a importância de investimentos em educação tecnológica. O desempenho ocorre em um momento em que o país torna obrigatório o ensino de computação em todas as etapas da educação básica, ampliando a discussão sobre formação digital nas escolas brasileiras.
A combinação de conquistas — da universidade pública federal ao ensino médio da rede Sesc — demonstra que a formação em robótica e programação no Brasil produz resultados competitivos em diferentes níveis de ensino. As equipes retornaram ao Brasil nesta quarta-feira, 8 de julho, sendo recebidas com celebrações em Recife e em Brasília.