EUA atacam Irã após drone atingir navio no Estreito de Ormuz e ameaçar cessar-fogo
Os Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra o Irã na sexta-feira, 26 de junho de 2026, em resposta a um drone iraniano que atingiu o navio cargueiro Ever Lovely no Estreito de Ormuz um dia antes. O incidente representa a maior escalada militar desde a assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerã em 17 de junho, que previa 60 dias de negociações para encerrar o conflito iniciado em fevereiro.
Ataque iraniano ao navio cargueiro
Na quinta-feira, 25 de junho, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) lançou pelo menos quatro drones contra embarcações que cruzavam o Estreito de Ormuz. Um deles atingiu o convés do Ever Lovely, um navio porta-contêineres de bandeira singapurense que navegava próximo à costa de Omã. Não houve feridos entre a tripulação. Forças norte-americanas interceptaram e destruíram os outros três drones antes que alcançassem novos alvos.
Resposta militar dos Estados Unidos
Em retaliação, aeronaves norte-americanas bombardearam depósitos de mísseis e drones iranianos, além de estações de radar costeiras, próximo ao porto de Sirik, no sul do Irã. O presidente Donald Trump afirmou que o ataque iraniano violou o cessar-fogo. "Eu não gostei do fato de que eles dispararam ontem, na verdade foram quatro disparos", declarou Trump.
Disputa sobre o cessar-fogo
O memorando de entendimento firmado em 17 de junho previa o fim permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, e estabelecia um período de 60 dias para que o Irã empregasse seus "melhores esforços" para garantir a passagem livre de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz. Ebrahim Azizi, chefe da comissão de segurança nacional do parlamento iraniano, respondeu a Trump nas redes sociais afirmando que "o Estreito de Ormuz é governado pelo Irã" e que a ação não representava uma violação do cessar-fogo, mas sim "gestão do cessar-fogo". A Guarda Revolucionária alertou que, "em caso de agressão repetida, nossa resposta será mais ampla do que esta".
Impacto na navegação e no comércio global
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente. Segundo o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (IMO), Arsenio Dominguez, cerca de 115 navios foram evacuados da região desde o início do conflito, enquanto aproximadamente 500 embarcações permanecem na área. A instabilidade no estreito pressiona os preços internacionais do petróleo e ameaça cadeias de abastecimento globais.
Perspectivas para as negociações
O incidente coloca em risco o frágil acordo alcançado há dez dias. Entre os pontos ainda não resolvidos nas negociações estão o acesso irrestrito ao Estreito de Ormuz, o estoque de urânio enriquecido do Irã e o desarmamento do Hezbollah. O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu classificou o acordo-quadro como "uma grande conquista para Israel". A comunidade internacional acompanha com cautela os próximos passos, ciente de que uma nova escalada pode inviabilizar definitivamente o processo diplomático entre as duas potências.