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EUA atingem mais de 300 alvos no Irã em uma semana e trégua desmorona

Milena Oliveira
política 3 min de leitura
Navios militares patrulham o Estreito de Ormuz ao entardecer com fumaça no horizonte

Os Estados Unidos atingiram mais de 300 alvos militares no Irã ao longo da última semana, em três rodadas de bombardeios que elevaram o conflito entre Washington e Teerã a um novo patamar. A escalada, que ameaça colapsar a trégua de 60 dias firmada em meados de junho, tem como epicentro a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde flui cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente.

Três rodadas de ataques em sete dias

O ciclo de bombardeios começou entre os dias 8 e 9 de julho, quando o Comando Central dos EUA (Centcom) lançou ataques contra posições militares iranianas em resposta a agressões contra navios comerciais no Estreito de Ormuz. Um segundo ciclo ocorreu na sequência, ampliando o número de alvos atingidos.

Na madrugada do domingo (12), o terceiro e mais intenso ataque atingiu cerca de 140 alvos, incluindo bases de mísseis e drones, depósitos de munição, redes de comunicação, instalações navais e postos de vigilância costeira. O Pentágono empregou caças, drones e navios de guerra na operação, que o Centcom classificou como resposta às "agressões injustificadas contra embarcações civis".

Irã responde com mísseis contra bases no Golfo

Teerã reagiu lançando mísseis e drones contra instalações militares norte-americanas e territórios de países do Golfo. Quatro mísseis foram disparados contra a Jordânia, com relatos divergentes sobre o sucesso da interceptação. Ataques também atingiram ou foram direcionados a Qatar, Bahrein, Kuwait e Omã, provocando pelo menos três feridos no Qatar, incluindo uma criança atingida por estilhaços.

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, advertiu que "novas bases norte-americanas na região poderão ser atacadas caso Washington continue com os bombardeios". Autoridades iranianas afirmam que pelo menos 17 pessoas morreram e 115 ficaram feridas nos ataques americanos ao longo da semana, embora os números não tenham sido confirmados de forma independente.

Trégua de 60 dias à beira do colapso

O presidente Donald Trump declarou nas redes sociais que "o cessar-fogo acabou", mas concordou em manter canais de diálogo abertos por meio de mediadores. O memorando de entendimento assinado em meados de junho previa um prazo até 18 de agosto para a negociação de um acordo permanente, mas as tratativas estão paralisadas por divergências sobre o Artigo 5 do documento.

Do lado americano, as negociações são lideradas pelo vice-presidente JD Vance, pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo consultor Jared Kushner. Paquistão, Qatar e Omã mantêm esforços de mediação indireta. O negociador iraniano rejeitou o que chamou de "acordos unilaterais" e exigiu reciprocidade nas condições.

Estreito de Ormuz no centro da disputa

O ponto central do impasse é o controle do Estreito de Ormuz. O Irã reivindica participação decisória na definição das rotas de navegação e chegou a sugerir a cobrança de taxas de passagem, posição rejeitada pelos Estados Unidos, que insistem na livre circulação pelo corredor marítimo. Em 10 de julho, o tráfego de navios no estreito caiu para 34 embarcações, o menor nível registrado desde 28 de junho.

Os desdobramentos já afetam a economia global. O preço do galão de gasolina nos EUA subiu para US$ 3,88, e a gigante do transporte marítimo Maersk anunciou o retorno de rotas pelo Canal de Suez como alternativa. Analistas alertam que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pode elevar o preço do barril de petróleo a níveis não vistos desde a crise energética provocada pela invasão da Ucrânia em 2022, com impactos diretos sobre a inflação mundial.

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