EUA atingem mais de 300 alvos no Irã em uma semana e trégua desmorona
Os Estados Unidos atingiram mais de 300 alvos militares no Irã ao longo da última semana, em três rodadas de bombardeios que elevaram o conflito entre Washington e Teerã a um novo patamar. A escalada, que ameaça colapsar a trégua de 60 dias firmada em meados de junho, tem como epicentro a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde flui cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente.
Três rodadas de ataques em sete dias
O ciclo de bombardeios começou entre os dias 8 e 9 de julho, quando o Comando Central dos EUA (Centcom) lançou ataques contra posições militares iranianas em resposta a agressões contra navios comerciais no Estreito de Ormuz. Um segundo ciclo ocorreu na sequência, ampliando o número de alvos atingidos.
Na madrugada do domingo (12), o terceiro e mais intenso ataque atingiu cerca de 140 alvos, incluindo bases de mísseis e drones, depósitos de munição, redes de comunicação, instalações navais e postos de vigilância costeira. O Pentágono empregou caças, drones e navios de guerra na operação, que o Centcom classificou como resposta às "agressões injustificadas contra embarcações civis".
Irã responde com mísseis contra bases no Golfo
Teerã reagiu lançando mísseis e drones contra instalações militares norte-americanas e territórios de países do Golfo. Quatro mísseis foram disparados contra a Jordânia, com relatos divergentes sobre o sucesso da interceptação. Ataques também atingiram ou foram direcionados a Qatar, Bahrein, Kuwait e Omã, provocando pelo menos três feridos no Qatar, incluindo uma criança atingida por estilhaços.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, advertiu que "novas bases norte-americanas na região poderão ser atacadas caso Washington continue com os bombardeios". Autoridades iranianas afirmam que pelo menos 17 pessoas morreram e 115 ficaram feridas nos ataques americanos ao longo da semana, embora os números não tenham sido confirmados de forma independente.
Trégua de 60 dias à beira do colapso
O presidente Donald Trump declarou nas redes sociais que "o cessar-fogo acabou", mas concordou em manter canais de diálogo abertos por meio de mediadores. O memorando de entendimento assinado em meados de junho previa um prazo até 18 de agosto para a negociação de um acordo permanente, mas as tratativas estão paralisadas por divergências sobre o Artigo 5 do documento.
Do lado americano, as negociações são lideradas pelo vice-presidente JD Vance, pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo consultor Jared Kushner. Paquistão, Qatar e Omã mantêm esforços de mediação indireta. O negociador iraniano rejeitou o que chamou de "acordos unilaterais" e exigiu reciprocidade nas condições.
Estreito de Ormuz no centro da disputa
O ponto central do impasse é o controle do Estreito de Ormuz. O Irã reivindica participação decisória na definição das rotas de navegação e chegou a sugerir a cobrança de taxas de passagem, posição rejeitada pelos Estados Unidos, que insistem na livre circulação pelo corredor marítimo. Em 10 de julho, o tráfego de navios no estreito caiu para 34 embarcações, o menor nível registrado desde 28 de junho.
Os desdobramentos já afetam a economia global. O preço do galão de gasolina nos EUA subiu para US$ 3,88, e a gigante do transporte marítimo Maersk anunciou o retorno de rotas pelo Canal de Suez como alternativa. Analistas alertam que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pode elevar o preço do barril de petróleo a níveis não vistos desde a crise energética provocada pela invasão da Ucrânia em 2022, com impactos diretos sobre a inflação mundial.