EUA criam só 57 mil vagas em junho e expectativa de juros do Fed recua
Os Estados Unidos criaram apenas 57 mil postos de trabalho em junho de 2026, segundo relatório do Departamento do Trabalho divulgado em 2 de julho, um resultado muito abaixo das 115 mil vagas projetadas pelo consenso de mercado. O dado fraco fez os mercados reduzirem as apostas em novas altas de juros pelo Federal Reserve, derrubou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e impulsionou as bolsas de valores, em uma semana já marcada pelo recorde histórico do Dow Jones.
Mercado de trabalho desacelera nos EUA
O relatório de empregos de junho mostrou uma desaceleração significativa em relação a maio, quando foram criadas 129 mil vagas — número que também foi revisado para baixo. A taxa de desemprego recuou levemente para 4,2%, ante 4,3% no mês anterior, mas a queda se deveu principalmente à redução da taxa de participação na força de trabalho, que caiu 0,3 ponto percentual para 61,5%, o menor nível desde março de 2021. O resultado reforça sinais de que a economia americana está perdendo fôlego após um primeiro trimestre com crescimento anualizado de 2,1% do PIB.
Mercados reagem com otimismo ao dado fraco
Após a divulgação do payroll, os principais índices de Wall Street abriram em alta na sessão de 2 de julho, dando continuidade ao rali da véspera, quando o Dow Jones havia saltado 594,83 pontos e fechado em 52.900,07 pontos — recorde histórico. A lógica dos investidores é que dados econômicos mais fracos reduzem a pressão sobre o Federal Reserve para elevar juros, o que tende a beneficiar ações e outros ativos de risco. Na contramão, o Nasdaq acumulou perdas no período, pressionado pela queda no setor de semicondutores.
Expectativas de alta de juros recuam
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dois anos recuaram após o relatório de empregos, refletindo a redução nas apostas de aperto monetário. A probabilidade de ao menos uma elevação de juros ainda em 2026 caiu de 84% para 75,6%, segundo estimativas do mercado. O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, que conduziu sua primeira reunião em junho, optou por manter a taxa básica entre 3,50% e 3,75% e eliminou as projeções tradicionais de direção futura da política monetária, adotando uma postura estritamente dependente de dados.
Cenário global e impactos para o Brasil
O arrefecimento do mercado de trabalho americano ocorre em um momento de desafios para a economia global. O índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA acumulou alta de 4,2% em 12 meses até maio de 2026, a maior desde abril de 2023, impulsionado pela escalada nos preços de energia decorrente do conflito no Oriente Médio. O preço do petróleo WTI, porém, recuou quase 20% nas duas semanas encerradas em 2 de julho, caindo abaixo de 68 dólares por barril, o que pode aliviar pressões inflacionárias nos próximos meses. Para o Brasil, o cenário misto nos EUA tem implicações diretas: juros americanos mais estáveis tendem a favorecer fluxos de capital para mercados emergentes, embora a desaceleração da maior economia do mundo também represente riscos para o comércio global.