EUA e Irã trocam ataques e escalada militar ameaça cessar-fogo no Oriente Médio
Estados Unidos e Irã trocaram ataques militares entre os dias 27 e 28 de junho de 2026, colocando em risco o frágil cessar-fogo firmado entre as duas nações. O Irã lançou drones e mísseis contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein em retaliação a bombardeios dos EUA contra alvos iranianos, elevando a tensão a um dos patamares mais altos desde o início do conflito em fevereiro de 2026.
Irã ataca bases dos EUA no Kuwait e no Bahrein
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou na madrugada de domingo, 28 de junho, que atingiu instalações militares dos Estados Unidos na base aérea de Ali al-Salem, no Kuwait, e na base da Quinta Frota da Marinha americana em Port Salman, no Bahrein. Segundo o comunicado iraniano, oito instalações militares importantes foram destruídas nos ataques com mísseis e drones.
Kuwait e Bahrein confirmaram a interceptação de projéteis iranianos em seus territórios. O Bahrein informou que suas defesas aéreas interceptaram e destruíram parte dos mísseis e drones que tinham como alvo áreas civis do país. Até o momento, não há relatos de vítimas americanas nos locais atingidos, e os Estados Unidos não confirmaram os danos alegados pelo Irã.
Ofensiva americana precedeu a retaliação iraniana
Os ataques iranianos foram uma resposta direta a bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos contra o Irã no sábado, 27 de junho. A operação americana teve como alvo depósitos de mísseis e drones, além de radares costeiros iranianos. O presidente Donald Trump confirmou os ataques e afirmou que a ação foi motivada por violações iranianas ao acordo de cessar-fogo, especificamente contra navios comerciais no Estreito de Ormuz.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) declarou que o Irã "teve a chance de honrar o acordo de cessar-fogo, mas optou por não fazê-lo". O ciclo de retaliações teve início na quinta-feira, 26 de junho, quando o Irã atacou uma embarcação comercial no Estreito de Ormuz.
Cessar-fogo entre EUA e Irã sob pressão
O acordo de cessar-fogo, firmado após o conflito iniciado em fevereiro de 2026, permanece tecnicamente em vigor, mas está severamente abalado. A Guarda Revolucionária alertou que novas violações levarão à "interrupção completa de todos os processos em andamento", referindo-se às negociações diplomáticas.
Entre os pontos de atrito estão o controle sobre o Estreito de Ormuz, rota por onde passa aproximadamente 20% do petróleo mundial, e divergências sobre como o Irã utiliza recursos financeiros descongelados. Além disso, o acordo trilateral entre Estados Unidos, Israel e Líbano contradiz termos do memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã.
Reação internacional e perspectivas
Kuwait e Bahrein condenaram os ataques iranianos como "hediondos" e reafirmaram seu alinhamento com a posição americana. A escalada levanta temores sobre o envolvimento de outros países da região no conflito e sobre os efeitos no mercado global de energia. Analistas alertam que a continuidade do ciclo de retaliações pode tornar o cessar-fogo insustentável e reacender as hostilidades em escala maior.
A comunidade internacional observa com apreensão os desdobramentos, enquanto canais diplomáticos tentam evitar que o conflito evolua para um confronto ainda mais amplo no Oriente Médio.