EUA ordenam reforma na rede elétrica para acelerar data centers de IA
A Comissão Federal de Regulação de Energia dos Estados Unidos (FERC) emitiu, nesta quinta-feira (19), ordens inéditas que obrigam seis operadores regionais da rede elétrica americana a reformular suas regras de conexão para grandes consumidores de energia, como data centers de inteligência artificial. A decisão representa a primeira intervenção federal sistêmica para destravar os gargalos de infraestrutura que vêm freando a expansão da IA no país.
O que a FERC determinou
Os operadores terão 60 dias para justificar suas tarifas atuais ou propor modificações que acelerem a conexão de data centers à rede elétrica. Cada operador também deverá apresentar, em até 30 dias, um relatório detalhado sobre a capacidade de geração de energia disponível para atender cargas de grande porte.
A presidente da FERC, Laura Swett, afirmou que a iniciativa busca garantir "velocidade na entrega de energia" para os grandes consumidores do setor. A decisão se concentra em cinco áreas prioritárias: processos de transmissão e tecnologias alternativas, salvaguardas contra transferência de custos, regras para colocalização e geração no próprio local de consumo, novos serviços de transmissão para cargas flexíveis e processos de estudo para instalações de geração próximas a grandes consumidores.
Operadores regionais na mira
As ordens atingem os principais operadores do sistema elétrico americano: PJM Interconnection, Midcontinent Independent System Operator (MISO), Southwest Power Pool, California ISO, ISO New England e New York ISO. O ERCOT, que opera a rede do Texas, ficou de fora por não estar sob jurisdição federal.
Segundo a comissão, centros de inteligência artificial estão demandando compromissos de energia na ordem de centenas de megawatts — e em alguns casos na escala de gigawatts — em velocidades muito superiores àquelas para as quais os sistemas de transmissão foram originalmente projetados.
A corrida global por energia para IA
O crescimento acelerado dos data centers voltados à inteligência artificial tem pressionado a infraestrutura elétrica em todo o mundo. Empresas como Google, Microsoft e Amazon investem bilhões de dólares na construção de novos centros de processamento para sustentar modelos de IA cada vez maiores e mais complexos.
A Alphabet, controladora do Google, anunciou em junho de 2026 planos de captar US$ 80 bilhões por meio de oferta de ações para financiar investimentos em infraestrutura de IA e expansão de data centers. O movimento reflete uma tendência mais ampla no setor, onde a capacidade energética se tornou o principal gargalo para o avanço da tecnologia.
Impactos para o mercado de tecnologia
A decisão da FERC pode ter reflexos além das fronteiras americanas. Ao agilizar a conexão de data centers à rede elétrica, os Estados Unidos reforçam sua posição na corrida global pela liderança em inteligência artificial. A abordagem adotada, região por região em vez de uma regra nacional única, preserva a autoridade dos estados e os acordos já negociados entre operadores e grandes consumidores.
Para especialistas do setor, a medida sinaliza que governos ao redor do mundo precisarão adaptar suas regulações de energia para acompanhar o ritmo de expansão da IA, sob o risco de perder competitividade em uma economia cada vez mais dependente de capacidade computacional.