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EUA retomam bloqueio naval do Estreito de Ormuz e impõem taxa de 20% sobre cargas

Milena Oliveira
política 2 min de leitura
Navios militares em formação navegando por estreito marítimo estratégico com costa desértica ao fundo

Os Estados Unidos retomam nesta terça-feira (14) o bloqueio naval do Estreito de Ormuz contra embarcações iranianas, após o presidente Donald Trump anunciar a reinstauração da medida e a imposição de uma taxa de 20% sobre todas as cargas que transitarem pela passagem estratégica. A decisão segue três noites consecutivas de ataques americanos ao território iraniano e marca nova escalada no conflito entre Washington e Teerã.

Escalada militar e primeiros ataques com drones navais

O Comando Central dos EUA (CENTCOM) conduziu ataques durante três noites seguidas contra alvos no Irã, incluindo sistemas de defesa aérea, radares, depósitos de mísseis e infraestrutura costeira. O destaque das operações foi o primeiro uso em combate de drones navais Corsair, veículos de superfície não tripulados que atingiram as instalações de manutenção de submarinos na base naval de Bandar Abbas. Pelo menos duas pessoas morreram em ataques na região de Abadã, e três ficaram feridas no sudoeste do país.

Irã revida e trânsito pelo estreito despenca

Em resposta, o Irã atacou dois petroleiros com mísseis de cruzeiro no Estreito de Ormuz, causando a morte de um tripulante e ferimentos em oito marinheiros de nacionalidade indiana e ucraniana. Teerã reivindicou o controle sobre o estreito e lançou ataques contra alvos no Bahrein, Jordânia e Kuwait. A Jordânia interceptou quatro mísseis iranianos, sem relatos de vítimas. O trânsito diário de embarcações pelo estreito despencou — apenas 14 navios cruzaram a passagem no domingo, o menor número desde 13 de junho, com somente três navios de carga registrados na segunda-feira.

Preços do petróleo disparam e mercado reage

O impacto nos mercados foi imediato. O barril de Brent subiu 7,8%, alcançando US$ 81,92 na segunda-feira — o maior valor em um mês. O petróleo intermediário do Texas (WTI) atingiu US$ 78 por barril. O Estreito de Ormuz é responsável pelo trânsito de cerca de um quinto do petróleo e gás consumidos globalmente, o que torna qualquer interrupção uma ameaça direta à economia mundial.

Reações internacionais e oposição às taxas

O secretário-geral da ONU alertou para "consequências catastróficas" para a economia global caso o conflito se intensifique. A Organização Marítima Internacional (IMO) declarou que não há "base legal" para a cobrança de taxas compulsórias no estreito. O Qatar pediu "diálogo, diplomacia e desescalada", enquanto Omã reiterou seu compromisso com a "cooperação transparente e neutra" para restaurar a liberdade de navegação. O Reino Unido designou o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) do Irã como organização terrorista.

Contexto e colapso do acordo de paz

O conflito direto entre EUA e Irã teve início em 28 de fevereiro de 2026, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. Em 17 de junho, Trump e o presidente iraniano Masoud Pezeshkian assinaram um memorando de entendimento para encerrar as hostilidades, e o bloqueio naval foi suspenso no dia seguinte. Entretanto, Trump declarou o cessar-fogo "encerrado" na semana passada, alegando que o Irã "não honrou" os termos do acordo, e autorizou a retomada dos ataques e do bloqueio.

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