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Fed mantém juros na estreia de Warsh e sinaliza possíveis altas em 2026

Milena Oliveira
economia 3 min de leitura
Fachada do edifício do Federal Reserve em Washington com painéis de bolsa de valores ao entardecer

O Federal Reserve dos Estados Unidos manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,5% a 3,75% nesta terça-feira (17), na primeira reunião presidida por Kevin Warsh como presidente do banco central americano. A decisão, unânime entre os 12 membros votantes do FOMC, veio acompanhada de sinais claros de que aumentos nos juros estão no horizonte, com a projeção de inflação para 2026 saltando de 2,7% para 3,6%.

Nova era no Fed com Kevin Warsh

Kevin Warsh assumiu a presidência do Federal Reserve com uma mensagem direta aos mercados: "Este comitê vai entregar estabilidade de preços". Em sua estreia, o novo presidente promoveu uma mudança significativa na comunicação do banco central ao encurtar drasticamente o comunicado oficial e eliminar as orientações futuras (forward guidance) que vinham sendo utilizadas como ferramenta de política monetária há mais de uma década. Segundo Warsh, a decisão reflete o compromisso com uma abordagem baseada em dados, sem caminhos pré-determinados para a política monetária.

Projeções apontam para juros mais altos

O chamado "gráfico de pontos" (dot plot) revelou que nove dos 18 membros do FOMC projetam pelo menos uma alta de juros antes do fim de 2026, sendo que seis deles esperam dois aumentos de 0,25 ponto percentual cada. A projeção de inflação medida pelo PCE foi revisada significativamente para cima, de 2,7% em março para 3,6% — bem acima da meta de 2% do Fed. Já a previsão de crescimento do PIB foi reduzida de 2,4% para 2,2%, enquanto a taxa de desemprego esperada caiu marginalmente de 4,4% para 4,3%.

Mercados reagiram com volatilidade

A reação inicial dos mercados foi negativa no dia da decisão, com o S&P 500 recuando cerca de 1,3%, o Nasdaq caindo 1,5% e o Dow Jones perdendo 1%. Entretanto, na sessão seguinte, em 19 de junho, os índices se recuperaram com força: o Russell 2000 avançou 2,12%, o Nasdaq avançou 1,91% e o S&P 500 subiu 1,08%. A recuperação foi impulsionada pela assinatura formal do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, que levou Washington a suspender o bloqueio naval e provocou a queda do petróleo WTI para cerca de US$ 74 o barril, uma baixa de 2,1% no dia.

Queda do petróleo muda narrativa sobre inflação

Com o preço do petróleo em declínio após o acordo com o Irã, investidores passaram a acreditar que a pressão inflacionária pode arrefecer mais rapidamente do que o tom hawkish do Fed sugeria. A expectativa é de que a queda nos custos de energia possa compensar parcialmente a pressão inflacionária que levou o Fed a sinalizar possíveis altas de juros.

Impacto na economia brasileira e global

Para o Brasil, o cenário traz sinais mistos. A queda do petróleo tende a favorecer o ciclo de cortes da taxa Selic, atualmente em 14,25%, ao reduzir os custos de combustíveis importados e aliviar a pressão sobre os preços internos. Por outro lado, o fortalecimento do dólar motivado pelo tom mais duro do Fed representa um risco para economias emergentes, ao encarecer importações e aumentar o custo de dívidas em moeda estrangeira. No cenário mais amplo, o Banco da Inglaterra também manteve seus juros, mas dois de seus membros votaram por aumento, sinalizando que o aperto monetário pode se estender para além dos Estados Unidos.

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