Fed mantém juros nos EUA em primeira reunião sob comando de Kevin Warsh
O Federal Reserve dos Estados Unidos decidiu nesta terça-feira (17) manter a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, em decisão amplamente esperada pelo mercado. A reunião marcou a estreia de Kevin Warsh como presidente do banco central americano, após o fim do mandato de Jerome Powell, que comandou a instituição por oito anos.
Nova era no Federal Reserve
Kevin Warsh, ex-governador do Fed e indicado pelo presidente Donald Trump em janeiro de 2026, foi confirmado no cargo no mês passado. Em sua primeira coletiva pós-decisão, marcada para as 14h30 (horário de Washington) desta terça-feira, o mercado financeiro global acompanha de perto o tom e as sinalizações do novo presidente sobre a condução da política monetária.
Warsh declarou que o Fed permanecerá "estritamente independente na supervisão da política monetária", buscando dissipar preocupações sobre possíveis pressões políticas da Casa Branca. Conhecido por defender menor orientação antecipada sobre decisões futuras, o novo presidente pode alterar a forma como o banco central se comunica com os mercados.
Inflação persistente afasta corte de juros
O principal desafio do Fed segue sendo a inflação. O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos atingiu 4,2% em maio de 2026 na base anual, o maior patamar desde abril de 2023. A alta foi impulsionada sobretudo pela escalada nos preços de petróleo e gás, reflexo da guerra no Irã, iniciada no fim de fevereiro.
Com a inflação acima da meta de 2%, economistas passaram a considerar aumentos de juros como cenário mais provável do que cortes até o fim do ano. Dados do CME FedWatch indicavam probabilidade de 97% de manutenção da taxa nesta reunião, e ao menos três dos doze membros votantes do FOMC podem projetar elevações nas taxas em 2026. O último corte promovido pelo Fed ocorreu em dezembro de 2025.
Impacto para o Brasil e os mercados globais
A decisão do Fed tem reflexo direto sobre o câmbio e os fluxos de investimento para países emergentes como o Brasil. Com juros elevados nos Estados Unidos, o dólar tende a se valorizar, pressionando moedas como o real e encarecendo importações.
No cenário doméstico, o Banco Central brasileiro segue caminho oposto. Em abril de 2026, o Copom reduziu a taxa Selic pela segunda vez consecutiva, para 14,50% ao ano. A divergência entre as políticas monetárias dos dois países amplia o diferencial de juros, o que pode atrair capital estrangeiro ao Brasil, mas também pode gerar volatilidade nos mercados.
Próximos passos e perspectivas
O foco dos investidores agora se volta para o chamado "dot plot", o gráfico de projeções individuais dos membros do Fed. Existe a expectativa de que o único corte de juros ainda projetado para 2026 seja eliminado na atualização, consolidando o cenário de juros elevados por mais tempo. Warsh, que acredita que o avanço da inteligência artificial pode impulsionar a produtividade e ajudar a conter a inflação no longo prazo, terá a tarefa de equilibrar o combate à alta de preços com a preservação do crescimento econômico.