FMI eleva projeção de crescimento do Brasil para 2,4% em 2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil de 1,9% para 2,4% em 2026, conforme a atualização do relatório Perspectivas Econômicas Mundiais (World Economic Outlook), divulgada na última quarta-feira (8). A revisão para cima, a segunda consecutiva no ano, destaca o dinamismo da economia brasileira em meio a um cenário global de correntes cruzadas entre tensões geopolíticas e avanços tecnológicos.
PIB global é reduzido enquanto Brasil avança
O FMI cortou a projeção de crescimento da economia mundial de 3,1% para 3,0% em 2026, mas elevou a estimativa para 2027 de 3,2% para 3,4%. Na contramão da tendência global, o Brasil teve uma das maiores revisões positivas entre as economias emergentes: a previsão para este ano saltou de 1,9% para 2,4%, enquanto a estimativa para 2027 subiu de 2,0% para 2,2%.
A revisão coloca o Brasil à frente da média das economias avançadas, que devem crescer apenas 1,7% neste ano. Analistas apontam que o desempenho brasileiro é sustentado pela expansão do consumo privado e pelo avanço dos investimentos em setores ligados à tecnologia e à inovação.
Economias avançadas perdem fôlego
Entre os países desenvolvidos, os Estados Unidos mantiveram a previsão de crescimento de 2,3% para 2026. Segundo o relatório, investimentos corporativos em tecnologia atuaram como um forte motor da economia norte-americana. A Zona do Euro, no entanto, teve a estimativa reduzida de 1,1% para 0,9%, pressionada pelos custos energéticos elevados. O Japão também recuou, com a projeção caindo de 0,7% para 0,6%.
Na Ásia, a China projeta crescimento de 4,6%, enquanto a Índia lidera entre as grandes economias mundiais com previsão de 6,4%, sustentada pela forte demanda interna no setor de serviços. A África Subsaariana deve crescer 4,3%, impulsionada pela recuperação de commodities agrícolas.
Desinflação global estagna e preocupa
A inflação mundial foi revisada para cima, com a projeção para 2026 alcançando 4,7%. O FMI alerta que a tendência de desinflação observada desde o início de 2024 estagnou, pressionada pelos custos de energia decorrentes da instabilidade no Golfo Pérsico. O cenário impõe cautela aos bancos centrais, que enfrentam o dilema entre estimular o crescimento econômico e conter a alta de preços.
Inteligência artificial compensa choques da guerra
Um dos destaques do relatório é o papel crescente da inteligência artificial como contrapeso aos efeitos negativos da guerra no Oriente Médio. Países integrados às cadeias globais de tecnologia se beneficiam de um ciclo acelerado de investimentos em IA, enquanto economias dependentes de importação de energia enfrentam pressões adicionais nos custos de produção e no poder de compra da população.
O FMI classifica o cenário como de "correntes cruzadas entre guerra e tecnologia", em que os ganhos proporcionados pela revolução tecnológica ajudam a amortecer os impactos macroeconômicos do conflito geopolítico.
Riscos e perspectivas para o segundo semestre
O FMI avalia que os riscos à economia global estão mais equilibrados do que na análise de abril, embora a incerteza permaneça elevada. O relatório foi finalizado antes de declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um possível colapso das negociações de cessar-fogo no Oriente Médio, o que pode ampliar a volatilidade nos próximos meses.
Para o Brasil, a manutenção do ritmo de crescimento depende da continuidade dos investimentos, da estabilidade fiscal e do controle da inflação doméstica. O resultado positivo nas projeções do FMI reforça que a economia brasileira tem apresentado indicadores acima da média global em um ano de incertezas.