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Guimarães diz que Alcolumbre busca reaproximação com Lula e pode destravar PEC da escala 6x1

Milena Oliveira
política 11 min de leitura
Mesa de negociação em ambiente institucional com documentos legislativos e silhuetas em Brasília.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, busca recompor a relação política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não deve criar obstáculos para a tramitação da proposta que altera a escala de trabalho 6x1. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Globo e reproduzida por outros veículos no fim de maio.

A fala recoloca Alcolumbre no centro da articulação política do governo no Senado, num momento em que propostas de forte apelo social dependem de negociação entre Palácio do Planalto, lideranças partidárias e comando da Casa.

O que disse Guimarães

Segundo Guimarães, Alcolumbre quer restabelecer o diálogo com Lula depois do desgaste político provocado por divergências em torno da vaga no Supremo Tribunal Federal. O ministro também disse manter contato frequente com o presidente do Senado e afirmou que o Palácio do Planalto avalia a melhor forma de conduzir essa reaproximação.

O que está em jogo no Senado

A proposta citada no debate é a PEC 48/2015, já aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que prevê a redução progressiva da jornada semanal até 36 horas e dois dias de descanso remunerado. De acordo com a Agência Senado, propostas de emenda à Constituição precisam do apoio de três quintos dos deputados, o equivalente a 308 votos, e de três quintos dos senadores, ou 49 votos, em dois turnos de votação.

No Senado, cabe a Alcolumbre decidir, em articulação com líderes partidários, quais PECs entram na pauta do Plenário. Por isso, a disposição do presidente da Casa em acelerar ou segurar o andamento do texto tem peso direto sobre o cronograma da proposta.

Impacto político

A possível reaproximação entre Lula e Alcolumbre é tratada por aliados do governo como um movimento importante para reduzir atritos com o Senado e facilitar votações consideradas estratégicas. Ao mesmo tempo, o avanço da PEC da escala 6x1 ainda depende de maioria qualificada e de um ambiente político favorável, o que torna a negociação com o comando da Casa decisiva para os próximos passos.

Próximos movimentos

No curto prazo, o foco estará na definição da pauta do Plenário e na capacidade do governo de transformar a sinalização de diálogo em apoio concreto. Se a proposta avançar no Senado, seguirá para a Câmara dos Deputados, onde também precisará cumprir o rito constitucional das PECs.

Até lá, a declaração de Guimarães funciona menos como garantia de aprovação e mais como um indicativo de que o Planalto tenta reconstruir pontes para melhorar sua margem de articulação no Congresso.

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