Irã fecha Estreito de Ormuz após Israel atacar Líbano e violar cessar-fogo
O Irã anunciou neste sábado (20) o fechamento do Estreito de Ormuz ao trânsito marítimo, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, em resposta aos ataques israelenses no sul do Líbano que violaram o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. A decisão provocou reações imediatas nos mercados de energia e aumentou a pressão sobre as negociações em curso na Suíça.
Ataques israelenses violam acordo de cessar-fogo
Apesar do memorando de entendimento assinado entre EUA e Irã, que estabelecia um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo o Líbano, Israel continuou a executar ataques no sul do território libanês. Os bombardeios deixaram ao menos cinco mortos, segundo autoridades libanesas. A agência de notícias estatal libanesa NNA reportou ofensivas na localidade de Sejoud, e correspondentes da AFP registraram disparos de artilharia em Nabatieh, ambas no sul do Líbano.
O governo iraniano classificou os ataques como uma violação direta do acordo e acusou os Estados Unidos de não terem capacidade de conter Israel. As Forças Armadas iranianas declararam, em comunicado transmitido pela televisão estatal, que o fechamento é "uma resposta ao descumprimento da promessa por parte do inimigo".
Fechamento do estreito e ameaça de escalada
O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente, foi declarado fechado à navegação pela divisão naval da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Segundo comunicados divulgados pela IRGC, alertas diretos foram emitidos a embarcações na região, advertindo que navios que tentassem cruzar o estreito poderiam encontrar minas ou ser alvos das forças navais iranianas.
Esta é a segunda vez que o Irã fecha o estreito durante o atual conflito. O bloqueio anterior levou os Estados Unidos a impor um bloqueio aos portos iranianos, que só foi revogado em 18 de junho. O Irã alertou ainda que, caso a intervenção israelense continue, "novas medidas serão adotadas para obrigar o inimigo a cumprir suas obrigações".
Negociações na Suíça seguem em paralelo
Paralelamente ao fechamento do estreito, autoridades iranianas confirmaram que sua equipe de negociação segue rumo à Suíça para dar continuidade às conversas com os Estados Unidos. O vice-presidente americano JD Vance viajou ao país europeu para liderar a delegação dos EUA nas negociações, que visam alcançar um acordo de paz duradouro dentro de um prazo de 60 dias.
O acordo entre EUA e Irã havia sido celebrado durante a cúpula do G7, onde o presidente Donald Trump destacou o entendimento preliminar como uma conquista diplomática. No entanto, a continuidade dos ataques israelenses no Líbano coloca em risco o processo de negociação.
Impacto no mercado global de energia
O fechamento do Estreito de Ormuz tem potencial para desencadear uma nova crise nos preços do petróleo, dado que a passagem é a principal rota de exportação para países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque. A medida ameaça a estabilidade dos mercados internacionais de energia em um momento de fragilidade econômica global.
Diplomatas da região, incluindo representantes do Qatar e de outros países do Golfo que participaram da mediação do cessar-fogo, expressaram preocupação com a escalada e pediram contenção a todas as partes envolvidas.