Leitura compartilhada ainda é rara em famílias com crianças pequenas, aponta estudo da OCDE
Um estudo internacional divulgado em 5 de maio de 2026 acendeu um alerta sobre a primeira infância no Brasil: 53% das famílias de crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola em Ceará, Pará e São Paulo nunca ou raramente leem livros com os filhos. O dado faz parte do International Early Learning and Child Well-being Study, da OCDE, com recorte nos três estados brasileiros participantes.
O que o levantamento mostra
Nas três redes analisadas, apenas 14% dos responsáveis relataram fazer leitura compartilhada entre três e sete vezes por semana. No conjunto dos países e jurisdições avaliados pela OCDE, a média de leitura com essa frequência ou maior é de 54%, o que mostra a distância entre o recorte brasileiro e o padrão internacional observado no estudo.
A pesquisa também indica que o problema não se limita aos grupos mais pobres. Segundo o coordenador do levantamento no Brasil, Tiago Bartholo, da UFRJ, a leitura frequente não chega a um quarto das famílias nem mesmo entre as camadas mais ricas analisadas.
Por que a leitura importa
A OCDE afirma que a leitura compartilhada frequente está associada a melhores resultados em literacia emergente e numeracia emergente aos 5 anos. O relatório destaca que ambientes familiares ricos em estímulos favorecem o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças desde os primeiros anos.
Mais do que antecipar a alfabetização formal, o hábito de ler com a criança fortalece vocabulário, atenção, compreensão e vínculo entre adultos e filhos. Por isso, especialistas defendem que o tema seja tratado como parte da política educacional e não apenas como uma escolha privada das famílias.
Desigualdade começa cedo
Os resultados reforçam que a desigualdade de aprendizagem aparece antes mesmo do ensino fundamental. Para os pesquisadores, o cenário aponta a necessidade de ampliar políticas de apoio à parentalidade, circulação de livros e aproximação entre famílias e escolas de educação infantil.
O recorte brasileiro do estudo não autoriza generalizações automáticas para todo o país, mas evidencia um problema relevante em três estados populosos e sugere que o incentivo à leitura na primeira infância precisa ganhar escala e prioridade.