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Matrículas em creches batem recorde no Brasil, mas meta do PNE segue distante

Milena Oliveira
educação 2 min de leitura
Crianças pequenas brincando em creche brasileira com brinquedos educativos e luz natural

O acesso à educação infantil para crianças de 0 a 3 anos no Brasil atingiu 43,3% em 2025, o maior percentual da série histórica, com cerca de 4,5 milhões de crianças matriculadas em creches, segundo dados da PNAD Contínua divulgados pelo IBGE. Apesar do avanço recorde, o índice ainda fica abaixo da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação.

Avanço de 36% em quase uma década

O resultado de 2025 representa um crescimento de 11,5 pontos percentuais em relação a 2016, quando o atendimento alcançava apenas 31,8% das crianças nessa faixa etária — uma expansão de 36% no período. Na comparação com 2024, quando o indicador marcava 41,1%, o avanço foi de 2,2 pontos percentuais.

No total, 9,4 milhões de crianças de 0 a 5 anos estavam matriculadas em escolas ou creches no país. Na pré-escola, que atende crianças de 4 e 5 anos, a taxa de atendimento atingiu 96,1%, também o maior patamar já registrado na série histórica iniciada em 2016.

Desigualdade regional marca o cenário

Apesar dos números positivos no panorama nacional, as diferenças regionais continuam expressivas. Santa Catarina lidera o ranking com 58,4% das crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creches, sendo o único estado que já superou a meta de 50%. No extremo oposto, o Amapá atende apenas 9,4% dessa população, seguido por Acre (19%) e Amazonas (20,9%).

A disparidade evidencia desafios estruturais que vão além da oferta de vagas: fatores socioeconômicos, raciais e geográficos influenciam diretamente o acesso à educação infantil nas diferentes regiões do país.

Meta do PNE não foi cumprida

Em todas as grandes regiões, o indicador permanece abaixo da meta de 50% de atendimento prevista para 2024 pelo Plano Nacional de Educação que vigorou até dezembro de 2025. A análise da organização Todos pela Educação aponta que 1,7 milhão de crianças ainda aguardam vagas em creches, mesmo com a demanda declarada pelas famílias.

Segundo Natália Fregonesi, da Todos pela Educação, "a expansão deve ser orientada pela demanda real da rede e priorizar a equidade na oferta, garantindo a qualidade das creches". O levantamento também revelou que 64,1% das crianças de 0 a 1 ano fora da creche estão nessa condição por escolha dos pais, enquanto 28,1% não frequentam por falta de vagas disponíveis.

Governo investe R$ 406 milhões na primeira infância

Para acelerar a expansão, o Ministério da Educação instituiu o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil (Conaquei). Entre 2026 e 2027, os investimentos para implementação das ações ultrapassam R$ 406 milhões em estados e municípios que assinarem termo de compromisso para receber apoio técnico e financeiro da União.

O novo PNE, que passou a vigorar em 2026, ampliou a meta para 60% de atendimento de crianças de até 3 anos até 2034, sinalizando que o desafio da universalização da educação infantil segue como prioridade na agenda educacional do país.

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