Mundo bate recorde de 3.302 bilionários com alta de 25% na riqueza impulsionada pela IA
O número de bilionários no mundo atingiu o recorde histórico de 3.302 pessoas, com um crescimento de 13,1% em relação ao ano anterior, segundo o Global Wealth Report do banco suíço UBS, divulgado nesta segunda-feira (30). O patrimônio combinado desses ultra-ricos avançou 25% nos 12 meses encerrados em abril de 2026, impulsionado principalmente pela valorização das ações de empresas ligadas à inteligência artificial.
Riqueza bilionária cresce mais que o dobro da média global
Enquanto a riqueza pessoal global avançou 10,8% em 2025 — a maior aceleração desde 2017 —, os bilionários viram seus ativos crescerem em ritmo mais que duas vezes superior. O levantamento mostra que 19 indivíduos possuem fortunas acima de US$ 100 bilhões, dos quais 15 estão nos Estados Unidos. A expansão do grupo foi liderada pelos EUA e pela Ásia.
O avanço representa uma mudança significativa em relação aos anos anteriores. Em 2024, a riqueza global havia crescido apenas 4,6%, e em 2023, 4,3%. A aceleração verificada em 2025 reflete a combinação de mercados de ações aquecidos, criação de novas empresas de tecnologia e transferência intergeracional de fortunas.
Inteligência artificial impulsiona nova geração de fortunas
A valorização das empresas de tecnologia, em especial aquelas ligadas à inteligência artificial, foi o principal motor do crescimento das fortunas bilionárias. Startups de IA, companhias que desenvolvem modelos de linguagem de grande escala e empresas de infraestrutura de computação em nuvem concentraram boa parte dos novos bilionários no período.
A corrida global por investimentos no setor elevou avaliações de mercado e gerou ganhos expressivos para acionistas de grandes empresas de tecnologia. Analistas do mercado financeiro, no entanto, alertam que as apostas alavancadas estão muito concentradas no ecossistema de IA, o que representa risco de correção caso o setor enfrente desaceleração.
Desigualdade aumenta apesar da expansão da riqueza
Apesar do crescimento generalizado da riqueza, o relatório revela um paradoxo preocupante: a riqueza mediana caiu na maioria dos mercados globais. Isso indica que os ganhos estão concentrados no topo da pirâmide econômica, ampliando a distância entre os mais ricos e o restante da população.
No período analisado, quase 1 milhão de novos milionários surgiram em todo o mundo. Contudo, economistas alertam que essa expansão não se traduz necessariamente em prosperidade ampla. O avanço desproporcional das fortunas bilionárias em relação à renda média reforça o debate global sobre tributação de grandes fortunas e políticas de redistribuição.
No Brasil, o cenário reflete as contradições globais. O país ganhou 9.215 novos milionários em 2025, segundo o levantamento do UBS, mas permanece entre as nações mais desiguais do mundo. O crescimento da riqueza no topo da pirâmide brasileira não foi acompanhado por uma melhora equivalente na renda da maioria da população.
O que esperar nos próximos meses
A sustentabilidade do ritmo de acumulação dependerá de fatores como a continuidade da inovação em inteligência artificial, a estabilidade geopolítica global e possíveis mudanças regulatórias no setor de tecnologia. Eventuais correções nos mercados de ações ou restrições ao uso de IA poderiam frear o crescimento das fortunas. Para a economia real, o desafio segue sendo traduzir a expansão da riqueza no topo em ganhos efetivos para a população de renda média e baixa.