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OCDE alerta para desaceleração global em 2026 com pressão energética e inflação

Milena Oliveira
economia 3 min de leitura
Sala de conferência com líderes econômicos e gráficos financeiros em queda ao fundo

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicou nesta semana seu relatório semestral de perspectivas econômicas, intitulado "Under Pressure", com projeções que confirmam uma desaceleração significativa da economia global em 2026. O crescimento mundial deve recuar de 3,4% em 2025 para 2,8% neste ano, pressionado pelo choque energético provocado pelo conflito no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e reacendeu pressões inflacionárias em todo o mundo.

Choque energético domina o cenário global

Desde fevereiro de 2026, os preços da energia e de outras commodities provenientes do Golfo Pérsico dispararam, impulsionados por interrupções na produção e nas exportações da região. Segundo a OCDE, o conflito no Oriente Médio tornou-se "a força dominante que molda as perspectivas econômicas globais", com efeitos que se espalham por toda a cadeia produtiva — dos fertilizantes agrícolas aos custos de transporte internacional.

Dois cenários para a economia mundial

O relatório da OCDE apresenta dois cenários distintos. No primeiro, de ruptura temporária, a produção energética nos países do Golfo se recuperaria a partir do terceiro trimestre de 2026, permitindo que o crescimento global retome a trajetória de 3,1% em 2027. Nesse cenário, a inflação no G20 subiria de 3,4% em 2025 para 4% em 2026, recuando para 3,1% no ano seguinte.

O segundo cenário, de ruptura prolongada, é mais pessimista: as restrições de oferta persistiriam até o segundo semestre de 2027, derrubando o crescimento global para 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027. A inflação, nesse caso, seria 0,4 ponto percentual maior em 2026 e 1,3 ponto percentual acima da linha de base em 2027.

Impactos regionais desiguais

As projeções variam significativamente entre as principais economias. Os Estados Unidos devem crescer 2% em 2026, enquanto a zona do euro enfrenta estagnação com previsão de apenas 0,8% de expansão. Segundo dados do governo chinês, a China projeta crescimento de 4,5%, porém com sinais preocupantes: o investimento em ativos fixos recuou 4,1% nos primeiros cinco meses de 2026, incluindo uma queda de 16,2% no setor imobiliário.

O Banco Mundial, em relatório paralelo publicado neste mês, é ainda mais cauteloso, projetando crescimento global de apenas 2,5% em 2026 — o menor desde a pandemia de Covid-19.

Brasil desacelera, mas mantém perspectiva moderada

Para o Brasil, a OCDE projeta crescimento de 1,7% do PIB em 2026, com inflação estimada em 4,2%. O resultado reflete a forte safra agrícola, com expansão prevista de 17% segundo o relatório da OCDE, e o impulso do consumo das famílias, sustentado por um mercado de trabalho aquecido — o desemprego atingiu 5,6%, mínima da série histórica segundo dados do IBGE. No entanto, a organização alerta para sinais de perda de fôlego na atividade econômica e mantém a recomendação de aperto fiscal.

Incerteza exige vigilância dos bancos centrais

A OCDE ressalta que a incerteza permanece elevada e que os bancos centrais precisam se manter vigilantes diante das mudanças no cenário econômico e financeiro global. A recomendação é garantir que as pressões inflacionárias subjacentes sejam contidas de forma duradoura, evitando tanto o aperto excessivo quanto a complacência com a alta dos preços. Para o Brasil, o cenário reforça a necessidade de equilíbrio entre política monetária e fiscal em um ambiente de riscos externos crescentes.

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