Onda de calor recorde fecha Louvre, Torre Eiffel e museus de Paris
A França registrou o dia mais quente de junho de sua história em 23 de junho de 2026, com temperaturas que superaram 44°C no sul do país. O calor extremo forçou o fechamento antecipado do Louvre, da Torre Eiffel e de outros grandes museus e monumentos de Paris, expondo a vulnerabilidade do patrimônio cultural europeu diante da crise climática.
Recordes de temperatura na França
O indicador térmico nacional francês alcançou a média de 29,8°C na terça-feira — superando os recordes anteriores de 29,4°C, registrados em agosto de 2003 e julho de 2019. No sul da França, os termômetros ultrapassaram os 44°C, e o serviço meteorológico Météo-France alertou que "novas temperaturas recordes eram esperadas, incluindo algumas que poderiam superar todos os registros anteriores".
A onda de calor não se restringiu à França. Na Espanha, o sul da Andaluzia registrou 44°C, enquanto previsões indicavam temperaturas de até 39°C em Londres. Nas últimas duas décadas, estima-se que mais de 200 mil mortes na Europa foram atribuídas ao calor extremo.
Louvre, Torre Eiffel e Notre-Dame entre os afetados
A Torre Eiffel, que normalmente opera até após a meia-noite e recebe cerca de 7 milhões de visitantes por ano, fechou às 16h no dia 23 de junho. O Louvre, maior museu do mundo com aproximadamente 9 milhões de visitantes anuais, antecipou o encerramento para as 16h entre os dias 24 e 27 de junho. A direção do museu justificou que "o calor se acumula no final do dia, agravado pelo alto número de visitantes".
O Palais de Tokyo suspendeu completamente suas exposições entre 22 e 27 de junho. A catedral de Notre-Dame de Paris fechou o acesso às suas torres. O Museu Gustave Moreau permaneceu fechado de 24 a 29 de junho, e o Musée Carnavalet manteve abertas apenas as salas dotadas de ar-condicionado.
Falta de climatização ameaça acervos artísticos
O ar-condicionado permanece incomum na França, e muitas instituições culturais não possuem sistemas modernos de climatização. O Louvre, por exemplo, enfrenta dificuldades com seus projetos de modernização há anos. A exposição prolongada ao calor extremo representa riscos não apenas para os visitantes, mas também para as obras de arte, que podem sofrer danos por variações bruscas de temperatura e umidade.
Alternativas culturais em meio ao calor
Diante das restrições, algumas instituições se adaptaram para acolher o público. A Fondation Louis Vuitton, equipada com ar-condicionado, manteve seu funcionamento normal. O Museu Nacional da História da Imigração ofereceu entrada gratuita até 26 de junho, posicionando-se como um "refúgio contra o calor". Todos os locais afetados garantiram reembolso para ingressos previamente adquiridos.
Paris permanece em alerta
Paris retornou ao alerta laranja de onda de calor neste domingo, 28 de junho, e a previsão é de que o alerta permaneça ativo até segunda-feira, 29 de junho. Na última semana, 40 afogamentos fatais foram registrados na França em decorrência do calor. O episódio reacende o debate sobre a necessidade urgente de investimentos em infraestrutura climática para proteger o patrimônio cultural europeu diante de verões cada vez mais extremos.