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ONU inaugura diálogo global sobre IA com alerta de danos catastróficos

Milena Oliveira
tecnologia 3 min de leitura
Delegados de diversas nacionalidades reunidos em salão de conferências internacional para o Diálogo Global sobre IA

A Organização das Nações Unidas (ONU) inaugurou nesta segunda-feira (6) o primeiro Diálogo Global sobre Governança de Inteligência Artificial, em Genebra, na Suíça. O evento reúne representantes de 193 Estados-membros, empresas de tecnologia, acadêmicos e organizações da sociedade civil para debater caminhos de regulamentação internacional da IA, em meio a alertas de cientistas sobre riscos de "dano catastrófico" caso a tecnologia avance sem salvaguardas adequadas.

Cientistas alertam para riscos catastróficos

O Painel Científico Internacional Independente sobre IA, composto por 40 especialistas de todas as regiões do mundo, apresentou suas conclusões na abertura do evento. O copresidente do painel, Yoshua Bengio, um dos principais pesquisadores de aprendizado profundo do mundo, alertou que "com evidências crescentes de comportamento enganoso da IA, a ciência atualmente não pode garantir que, à medida que as capacidades continuam a aumentar, a IA não causará dano catastrófico, seja por conta própria ou por ação de usuários maliciosos".

A copresidente Maria Ressa reforçou a urgência ao afirmar que "se você não consegue distinguir fato de ficção, não pode ter uma democracia". Para ela, a integridade da informação é o cerne do desafio que a IA impõe às sociedades democráticas.

EUA e China concentram 90% da capacidade computacional de IA

Dados apresentados durante o evento revelaram a profunda desigualdade na distribuição dos recursos de inteligência artificial. Os Estados Unidos detêm cerca de 75% dos supercomputadores de IA mais avançados do mundo, enquanto a China responde por aproximadamente 15%. Juntos, os dois países concentram cerca de 90% da infraestrutura global de computação para IA, deixando o restante do mundo com uma fração mínima dos recursos necessários para desenvolver e implantar a tecnologia.

Essa concentração levanta preocupações sobre a ampliação da desigualdade global. Países em desenvolvimento correm o risco de ficarem à margem dos benefícios da IA, ao mesmo tempo em que enfrentam seus riscos sem capacidade técnica ou regulatória para mitigá-los.

Benefícios comprovados e ameaças emergentes

O painel científico reconheceu avanços significativos proporcionados pela IA: a previsão da estrutura de mais de 200 milhões de proteínas, a melhoria na detecção precoce de câncer de mama, sistemas de alerta antecipado para insegurança alimentar e ferramentas de acessibilidade para pessoas com deficiência.

No entanto, os especialistas identificaram ameaças igualmente graves, incluindo a proliferação de material de abuso sexual gerado por IA, deepfakes, desinformação em larga escala, expansão de ataques cibernéticos e fraudes, impactos à saúde mental e o crescente consumo energético dos data centers que sustentam os modelos de IA.

Próximos passos para a governança global

Embora existam mais de 40 marcos regulatórios de IA ao redor do mundo, eles permanecem fragmentados e, em grande parte, não testados. O Diálogo Global busca construir abordagens comuns e interoperáveis entre os países. O evento prossegue até terça-feira (7) e inclui sessões temáticas sobre integridade da informação, ameaças democráticas e cooperação internacional.

Uma segunda sessão do Diálogo Global está prevista para maio de 2027, em Nova York. Os copresidentes do evento, o embaixador da Estônia Rein Tammsaar e a embaixadora de El Salvador Egriselda López, enfatizaram que a governança da IA exige "uma solução multilateral" com a participação ativa de todos os Estados-membros da ONU.

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