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Oracle demite 21 mil funcionários e confirma que IA substituiu parte dos cargos

Milena Oliveira
tecnologia 2 min de leitura
Escritório corporativo de tecnologia vazio com mesas desocupadas e monitores desligados

A Oracle eliminou 21 mil postos de trabalho ao longo dos últimos 12 meses em operações nos Estados Unidos e no exterior, e confirmou, em documento regulatório enviado à SEC, que a adoção de inteligência artificial foi responsável por parte dos cortes. A empresa encerrou o ano fiscal de 2026 com 141 mil funcionários em tempo integral, uma redução de quase 13% no quadro total.

Inteligência artificial como justificativa oficial

Em seu relatório anual, a Oracle declarou, em tradução livre, que "a adoção e implantação de tecnologias de inteligência artificial em nossas operações resultaram, e podem continuar a resultar, em reduções em nossa força de trabalho". É uma das primeiras vezes que uma grande empresa de tecnologia atribui explicitamente demissões em massa à automação por IA.

Segundo o relatório anual da empresa, os custos de reestruturação somaram US$ 1,8 bilhão no ano fiscal de 2026, incluindo indenizações e despesas de desligamento — um salto significativo em relação aos US$ 374 milhões gastos no exercício anterior, o que evidencia a escala das mudanças internas.

Investimento recorde em infraestrutura de IA

Paradoxalmente, os cortes ocorrem enquanto a Oracle investe somas recordes na construção de centros de dados voltados para inteligência artificial. No ano fiscal de 2026, a empresa destinou US$ 55,7 bilhões em despesas de capital, um aumento de 162% em relação aos US$ 21,2 bilhões do ano anterior.

A companhia também mantém um contrato de cinco anos no valor de US$ 300 bilhões com a OpenAI para fornecer capacidade em centros de dados, consolidando sua posição como um dos principais fornecedores de infraestrutura para o desenvolvimento de IA generativa.

Reação do mercado financeiro

As ações da Oracle recuaram cerca de 1% na terça-feira, 23 de junho, e acumulam queda superior a 10% desde o início do ano. O mercado reagiu com cautela à divulgação, ponderando o contraste entre os cortes massivos de pessoal e os investimentos bilionários em tecnologia.

Tendência que preocupa o setor

A decisão da Oracle reforça uma tendência crescente entre grandes empresas de tecnologia, que têm utilizado a IA não apenas como produto, mas como ferramenta para reduzir custos operacionais e substituir funções internas. A transparência da empresa ao vincular diretamente os cortes à IA levanta questões sobre o futuro do emprego no setor e a velocidade com que a automação pode transformar o mercado de trabalho global.

Analistas do setor apontam que, à medida que modelos de IA se tornam mais capazes e acessíveis, outras corporações podem seguir o mesmo caminho, ampliando a pressão sobre profissionais de áreas como suporte técnico, operações e funções administrativas.

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