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Petróleo despenca 20% e volta a nível pré-conflito com avanço de cessar-fogo entre EUA e Irã

Milena Oliveira
economia 3 min de leitura
Navio petroleiro atravessando estreito marítimo ao entardecer com reflexos dourados na água

O preço do petróleo acumula queda de aproximadamente 20% em relação aos picos registrados em 2026, com o barril de WTI recuando para cerca de US$ 67 nesta quinta-feira (3) — patamar não visto desde antes do início do conflito no Oriente Médio, em fevereiro. A retomada do tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz, impulsionada pelo avanço nas negociações de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, é o principal fator por trás da correção.

Reabertura do Estreito de Ormuz pressiona cotações

O Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde transita cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo, havia sido severamente afetado pelo conflito entre EUA e Irã desde o final de fevereiro de 2026. O bloqueio parcial elevou o barril de Brent a uma média de US$ 94 no primeiro semestre, segundo projeções do Banco Mundial — 36% acima dos níveis de 2025.

Com o avanço das conversas diplomáticas entre Washington e Teerã, o fluxo marítimo pelo estreito vem se normalizando rapidamente nas últimas semanas. O petróleo Brent recuou para US$ 72,13 nesta quinta-feira, enquanto o WTI caiu para cerca de US$ 67,50 — uma queda de quase 2% apenas na sessão, estendendo perdas pela terceira sessão consecutiva.

Mercados globais reagem com otimismo cauteloso

A queda nos preços de energia trouxe alívio aos mercados financeiros globais. O índice Dow Jones encerrou a sessão de quarta-feira (2) em 52.900 pontos, alta de 1,14% e nova máxima histórica. O ouro subiu 1,81%, cotado a US$ 4.187, enquanto a prata avançou 3,58%.

Na contramão, o setor de tecnologia seguiu pressionado. O Nasdaq recuou pela segunda sessão consecutiva, com fabricantes de chips liderando as perdas — Micron caiu cerca de 7% e AMD recuou mais de 4%. Analistas apontam realização de lucros e preocupações com sobrevalorização no segmento de inteligência artificial.

Na América Latina, o Ibovespa fechou em alta de 1,01%, aos 174.537 pontos, beneficiado pela taxa Selic elevada de 14,25% ao ano, que atrai investidores em busca de rendimento. O dólar recuou 0,68% frente ao real.

Dados fracos de emprego nos EUA adicionam pressão sobre o petróleo

Divulgado na quarta-feira pelo Bureau of Labor Statistics, o relatório de emprego de junho mostrou a criação de apenas 57 mil vagas não agrícolas nos Estados Unidos — praticamente metade das 115 mil esperadas pelo mercado. Revisões negativas nos dados de abril e maio subtraíram outras 74 mil vagas do total previamente reportado.

Apesar da fraqueza na geração de empregos, a taxa de desemprego recuou ligeiramente para 4,2%, embora a participação na força de trabalho tenha caído para 61,5% — o menor patamar desde março de 2021. O dado reforça a expectativa de que o Federal Reserve manterá os juros estáveis na próxima reunião, reduzindo a pressão sobre os preços das commodities.

Perspectivas para a economia global

A queda sustentada nos preços do petróleo pode representar um ponto de inflexão para a economia mundial, que vinha sofrendo os efeitos do choque energético provocado pelo conflito no Oriente Médio. O Banco Mundial havia projetado em junho que o crescimento global cairia para 2,5% em 2026 — o menor nível desde a pandemia de Covid-19 — com a inflação global subindo para 4%.

Se a normalização do fluxo pelo Ormuz se consolidar e um acordo de cessar-fogo for formalizado, economistas avaliam que as projeções pessimistas poderão ser revisadas para cima. A OCDE, que cortou sua previsão de crescimento global para 2,8% em 2026 em cenário otimista, condicionou a recuperação à duração limitada das interrupções no fornecimento de energia.

O FMI deve publicar sua atualização do World Economic Outlook em 8 de julho, quando o mercado espera novas revisões nas projeções de crescimento e inflação à luz da recente distensão geopolítica e da queda nos preços de energia.

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