Prazo para tarifa de 25% dos EUA sobre o Brasil vence nesta quarta-feira
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) encerra nesta quarta-feira (15) o prazo para decidir sobre a imposição de tarifa de até 25% a produtos brasileiros, após investigação aberta há um ano sobre barreiras comerciais, digitais e ambientais. Cerca de 4,1 mil itens, que somam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações, estão no escopo da medida, que pode atingir produtos como aço, máquinas e etanol.
O que está em jogo
A investigação foi aberta pelo USTR em julho de 2025 e abrange questões de comércio digital, propriedade intelectual e meio ambiente. Os produtos mais visados incluem aço, ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico. A tarifa adicional de 25% se somaria aos impostos já existentes, encarecendo significativamente as exportações brasileiras para o mercado norte-americano.
Negociações e encontro Lula-Trump
O presidente Lula e o presidente Trump se reuniram na Casa Branca em maio de 2026, e o governo brasileiro apresentou um roteiro de propostas para resolver a disputa comercial. A estratégia brasileira tem sido manter o diálogo aberto, sem solicitar adiamento do prazo, na expectativa de que Washington possa postergar a implementação mesmo após a decisão.
Lei de Reciprocidade Econômica como resposta
O Brasil conta com a Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril de 2025, que autoriza o Poder Executivo a suspender concessões comerciais, investimentos e obrigações relacionadas à propriedade intelectual em resposta a medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade brasileira. Porém, o governo sinaliza que não pretende responder automaticamente com tarifas equivalentes e vai avaliar os impactos sobre consumidores, empresas e cadeias produtivas antes de qualquer retaliação.
Produtos com chance de isenção
O lado americano sinalizou possíveis isenções para carne bovina, café, peças de aeronaves e terras raras — produtos para os quais os EUA não possuem fontes alternativas de fornecimento fáceis. Essas exceções podem reduzir o impacto total sobre a balança comercial brasileira, mas a decisão final depende da avaliação do USTR.
Próximos passos e ameaças adicionais
Além da tarifa de 25% com prazo nesta quarta, uma investigação trabalhista separada pode resultar em tarifa adicional de 12,5%, com relatório previsto para 24 de julho. Os ministérios envolvidos terão alguns dias após a decisão para examinar os efeitos econômicos e jurídicos antes de apresentar uma recomendação ao presidente Lula sobre a resposta brasileira.