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Raízen protocola plano para reestruturar dívida de R$ 64,7 bilhões

Milena Oliveira
economia 10 min de leitura
Complexo industrial de energia com tanques e tubulações sob luz de fim de tarde, em composição editorial sobre reestruturação financeira da Raízen.

A Raízen protocolou na Justiça de São Paulo um plano de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 64,7 bilhões em dívidas, depois de obter adesão de credores que representam 75,45% dos créditos abrangidos pela proposta. O movimento é uma tentativa de reorganizar a estrutura de capital da companhia sem recorrer à recuperação judicial.

Adesão dos credores

Segundo os comunicados divulgados pela empresa e reportagens publicadas no sábado, o quórum foi alcançado com apoio de bancos, detentores de títulos no mercado doméstico e investidores de papéis internacionais. O percentual supera o mínimo exigido para a homologação judicial do plano.

O que prevê o plano

  • Aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell por meio de aumento de capital.

  • Possível aporte adicional de R$ 500 milhões da Aguassanta Participações, ligada à família de Rubens Ometto.

  • Conversão de 45% dos créditos reestruturados em participação acionária.

  • Reperfilamento dos 55% restantes com novos instrumentos de dívida.

A companhia afirma que a combinação dessas medidas busca reduzir a alavancagem, reforçar a liquidez e adequar o perfil da dívida à geração de caixa do negócio. O plano agora seguirá para análise e eventual homologação judicial.

Venda de ativos na Argentina

A reestruturação foi anunciada poucos dias depois da venda das operações downstream da Raízen na Argentina para a Mercuria Energy, em um negócio de US$ 1,42 bilhão. A operação faz parte da estratégia de simplificação do portfólio e de reforço do caixa.

Próximos passos

Pelas regras do processo, os credores ainda poderão apresentar objeções antes da decisão judicial. A Raízen sustenta que a recuperação extrajudicial tem escopo exclusivamente financeiro e não altera obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros comerciais.

Se homologado, o plano deverá orientar a reorganização financeira da companhia nos próximos meses e será acompanhado de medidas societárias, desinvestimentos e separação de negócios até o fim de 2027.

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