Renda per capita bate recorde em 2024, mas desigualdade segue alta no Brasil
Dados divulgados pelo IBGE em 8 de maio de 2025 mostram que o rendimento mensal real domiciliar per capita do Brasil chegou a R$ 2.020 em 2024, o maior valor da série iniciada em 2012. Em relação a 2023, a alta foi de 4,7%, sinalizando avanço da renda média no país.
O que os dados mostram
A PNAD Contínua: Rendimento de Todas as Fontes informa que a massa de rendimento mensal domiciliar per capita somou R$ 438,3 bilhões em 2024, também um recorde da série. O levantamento aponta ainda que 143,4 milhões de pessoas tinham alguma fonte de renda no ano, o maior contingente desde o início da pesquisa.
Desigualdade caiu, mas continua elevada
Apesar da melhora da renda, a concentração permanece alta. Em 2024, os 10% da população com maiores rendimentos receberam o equivalente a 13,4 vezes o rendimento dos 40% com menores rendimentos. Entre o 1% mais rico e os 40% mais pobres, a razão foi de 36,2 vezes.
O índice de Gini do rendimento mensal real domiciliar per capita ficou em 0,506, o menor da série histórica. Isso indica que a desigualdade recuou em relação a anos anteriores, embora continue em patamar elevado para os padrões internacionais.
Mercado de trabalho e programas sociais
Segundo o IBGE, o rendimento do trabalho respondeu por 74,9% da composição da renda domiciliar per capita em 2024, acima dos 74,2% observados em 2023. O número de pessoas beneficiárias de programas sociais do governo também cresceu, passando de 18,6 milhões para 20,1 milhões no período.
A proporção de domicílios com algum beneficiário do Bolsa Família recuou levemente de 19,0% em 2023 para 18,7% em 2024, sinal de que a melhora no mercado de trabalho conviveu com a manutenção da relevância da rede de proteção social.
Desafio para políticas públicas
A Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostra que a pobreza caiu de 27,3% para 23,1% entre 2023 e 2024. Ainda assim, o próprio instituto estima que, sem os benefícios de programas sociais, o índice de Gini teria subido de 0,504 para 0,542 em 2024, o que reforça o peso dessas políticas na redução das desigualdades.
O quadro, portanto, combina dois movimentos: renda mais alta e desigualdade menor do que em anos anteriores, mas ainda com forte concentração. Para o país, o desafio segue sendo transformar o avanço da renda em melhora mais ampla e duradoura das condições de vida.