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Sam Neill, astro de Jurassic Park, morre aos 78 anos na Austrália

Milena Oliveira
cultura 3 min de leitura
Claquete de cinema cercada por flores brancas e velas em homenagem póstuma a um grande ator

O ator neozelandês Sam Neill, mundialmente conhecido por interpretar o paleontólogo Dr. Alan Grant na franquia Jurassic Park, morreu nesta segunda-feira (13) em Sydney, na Austrália, aos 78 anos. A família do ator confirmou que a morte foi "repentina e inesperada" e destacou que ele estava livre do câncer no momento do falecimento. Neill deixa quatro filhos e oito netos.

Batalha contra o câncer e uma recuperação celebrada

Em 2023, Neill revelou publicamente que havia sido diagnosticado com linfoma angioimunoblástico de células T, um tipo raro e agressivo de linfoma não Hodgkin. O diagnóstico chocou fãs e colegas de profissão, mas o ator enfrentou o tratamento com a determinação e o bom humor que sempre o caracterizaram.

Em abril deste ano, Neill anunciou que estava livre da doença, graças a uma terapia genética inovadora que modificou seu sistema imunológico. A notícia de sua morte, portanto, pegou o mundo do entretenimento de surpresa, já que a recuperação havia sido amplamente celebrada. "Sam estava cercado pela família e partiu com a dignidade que caracterizou toda a sua vida", declarou a família em comunicado oficial.

Cinco décadas de carreira no cinema e na televisão

Nascido em 1947 na Irlanda do Norte, Neill emigrou para a Nova Zelândia aos 7 anos e cresceu em Dunedin, na Ilha Sul do país. Sua carreira artística abrangeu mais de cinco décadas e dezenas de produções que marcaram gerações de espectadores ao redor do mundo.

O papel que o consagrou internacionalmente foi o do Dr. Alan Grant no clássico Jurassic Park (1993), dirigido por Steven Spielberg. Neill retornou ao icônico personagem em Jurassic Park III (2001) e em Jurassic World: Domínio (2022). Além da franquia, o ator estrelou filmes aclamados pela crítica, como O Piano (1993), ao lado de Holly Hunter, Calmaria Mortal (Dead Calm), com Nicole Kidman, e Caçada ao Outubro Vermelho (1990).

Na televisão, destacou-se como o inspetor Chester Campbell na aclamada série britânica Peaky Blinders e recebeu indicação ao Globo de Ouro pela minissérie Merlin (1998). Mais recentemente, integrou o elenco das séries Invasion, da Apple TV+, e Apples Never Fall, do Peacock.

Um legado que vai além das telas

Além de sua contribuição ao cinema, Neill era proprietário da vinícola Two Paddocks, localizada na região de Central Otago, na Nova Zelândia, onde produzia rótulos premiados de pinot noir. Foi condecorado pela rainha Elizabeth II por sua "contribuição excepcional ao cinema".

Em suas memórias, publicadas em 2023, o ator refletiu sobre a vida e a mortalidade com uma perspectiva filosófica. Em entrevista ao jornal The Guardian, declarou que "aqueles momentos sombrios colocam a luz em relevo nítido" e que a experiência com o câncer o fizera "grato por cada dia".

Homenagens de líderes políticos

O primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, classificou Neill como "um dos grandes" e destacou que sua carreira de mais de 50 anos ajudou a consolidar a indústria cinematográfica neozelandesa no cenário internacional. O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, elogiou a "dignidade, humor e convicção" com que o ator conduziu sua vida e carreira.

A partida de Sam Neill encerra uma era no cinema mundial, mas seu legado permanece vivo nos personagens inesquecíveis que moldaram o imaginário de gerações inteiras de cinéfilos.

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