Senado dos EUA aprova resolução histórica contra guerra com o Irã em desafio a Trump
O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira (23) uma resolução de poderes de guerra que exige que o presidente Donald Trump encerre as operações militares contra o Irã ou obtenha autorização explícita do Congresso para continuar o conflito. A votação, encerrada em 50 a 48, marca a primeira vez na história que ambas as casas legislativas americanas aprovam uma medida desse tipo — embora a resolução tenha caráter simbólico e não vá à sanção presidencial.
Votação histórica no Senado
A Câmara dos Representantes já havia aprovado a resolução em 3 de junho, por 215 votos a 208. No Senado, quatro republicanos romperam com a orientação do partido e votaram a favor: Bill Cassidy (Louisiana), Susan Collins (Maine), Lisa Murkowski (Alasca) e Rand Paul (Kentucky). Dois senadores republicanos, Mitch McConnell e Dave McCormick, não participaram da votação. Do lado democrata, apenas John Fetterman (Pensilvânia) votou contra.
Conflito com o Irã e opinião pública
Os Estados Unidos iniciaram operações militares contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026, em uma ofensiva conjunta com Israel. O conflito já havia sido precedido pela chamada "Guerra dos Doze Dias", em junho de 2025, que teve como alvo instalações nucleares iranianas. Pesquisas recentes indicam que apenas 24% dos americanos consideram que a guerra valeu o custo, refletindo um crescente desgaste público com o engajamento militar no Oriente Médio.
Reação de Trump nas redes sociais
O presidente Trump reagiu com dureza à votação. Em publicação na rede Truth Social, chamou os quatro senadores republicanos dissidentes de "perdedores republicanos" e afirmou que eles "votaram com os democratas". Segundo Trump, o Irã teria questionado seus assessores sobre o significado da resolução. "Esses senadores acabaram de dificultar meu trabalho, mas vou dar conta, de um jeito ou de outro, porque eu sempre dou conta", escreveu o presidente.
Negociações em andamento na Suíça
A votação no Senado acontece em um momento delicado das relações entre EUA e Irã. As duas nações mantêm negociações na Suíça desde a assinatura de um memorando de cessar-fogo em 17 de junho. O líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, declarou que "o povo americano pagou o preço pelo erro histórico de Trump no Irã", sinalizando que o partido continuará pressionando pela retirada das tropas.
Impacto geopolítico e próximos passos
Embora não tenha força de lei, a resolução envia uma mensagem política contundente ao Executivo e à comunidade internacional. É a primeira vez desde a Lei de Poderes de Guerra de 1973 que o Congresso americano se posiciona de forma tão explícita contra um conflito em andamento. O desfecho das negociações na Suíça e a resposta do governo iraniano devem definir os próximos capítulos de um conflito que já se estende por quase quatro meses.