TCU investiga uso de R$ 5,7 bilhões em 'dinheiro esquecido' no Desenrola 2.0
O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma auditoria para investigar a destinação de R$ 5,7 bilhões em recursos esquecidos por trabalhadores em contas bancárias, transferidos ao Fundo de Garantia de Operações (FGO) para sustentar o programa Desenrola 2.0. A principal dúvida dos técnicos do tribunal é se esses valores poderiam ser utilizados diretamente no programa sem transitar pelo Orçamento da União.
O que está em questão
A investigação analisa o tratamento contábil, orçamentário e financeiro dado aos recursos para verificar se a operação respeitou as regras fiscais e de transparência aplicáveis. Quando recursos passam pela peça orçamentária, ficam sujeitos às regras fiscais e aos limites de gastos estabelecidos para o governo federal. A equipe técnica do TCU avalia se a transferência ao FGO configurou uso de recursos públicos fora do orçamento oficial, o que burlaria as regras fiscais vigentes.
O programa Desenrola 2.0
O Desenrola 2.0 é uma iniciativa do governo federal para facilitar a renegociação de dívidas de cidadãos, oferecendo descontos que podem chegar a 90%. O programa funciona por meio de parceria com instituições financeiras e utiliza o FGO como mecanismo de garantia para as renegociações. Até o final de maio de 2026, R$ 5,7 bilhões já haviam sido transferidos ao fundo.
Impacto para os trabalhadores
Se os recursos forem liberados conforme planejado, milhões de trabalhadores poderão renegociar suas dívidas em condições mais favoráveis. A investigação do TCU, porém, levanta questionamentos sobre a transparência na gestão desses recursos e sobre os riscos de se criar precedentes para operações financeiras fora do orçamento federal. Economistas e especialistas em finanças públicas acompanham o caso de perto, destacando a necessidade de clareza na administração de fundos dessa magnitude.