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Toquinho completa 80 anos e ganha homenagem com documentário nos cinemas

Milena Oliveira
cultura 2 min de leitura
Músico idoso tocando violão clássico em palco iluminado com luz dourada

O músico Antônio Pecci Filho, o Toquinho, celebra 80 anos de vida com a estreia do documentário "Toquinho: Encontros e um Violão" nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 9 de julho. Dirigido por Erica Bernardini, o longa é uma coprodução Brasil-Itália que revisita a trajetória de um dos violonistas mais influentes da Música Popular Brasileira.

Uma carreira construída nota a nota

Nascido em 6 de julho de 1946, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, Toquinho iniciou sua carreira nos anos 1960, após anos de estudo rigoroso do violão. Com 462 obras musicais e mais de 1.164 gravações cadastradas no acervo do Ecad, o artista construiu um repertório que atravessa gerações e permanece presente no cotidiano dos brasileiros.

Suas composições mais conhecidas — "Aquarela", "Tarde em Itapoã" e "O Caderno" — combinam simplicidade melódica e profundidade poética. "Aquarela", sua canção mais executada nos últimos cinco anos, nasceu de uma parceria com Vinicius de Moraes, Guido Morra e Mushi e se tornou um hino da infância no Brasil.

A parceria com Vinicius de Moraes

A relação entre Toquinho e o poeta Vinicius de Moraes é um dos capítulos mais marcantes da MPB. Iniciada no início dos anos 1970, quando Vinicius ouviu os violões de Toquinho em um disco gravado na Itália e o convidou para shows na Argentina, a parceria rendeu mais de 100 composições ao longo de uma década.

Entre os clássicos que nasceram dessa colaboração estão "Tarde em Itapoã" — com 117 gravações registradas no Ecad — e "Como Dizia o Poeta". Toquinho esteve ao lado de Vinicius até seu último dia de vida, em 1980, consolidando uma amizade que extrapolou o palco e deixou um legado permanente na música brasileira.

O documentário que chega aos cinemas

"Toquinho: Encontros e um Violão" estreia com 38 sessões em cinemas pelo Brasil, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. Com 1 hora e 30 minutos de duração, o filme traz imagens de arquivo raras, entrevistas e vídeos inéditos filmados na Itália.

Além do próprio Toquinho, o documentário conta com depoimentos da cantora italiana Ornella Vanoni, do jornalista Pedro Bial e do músico Ivan Lins. Distribuído pela Pandora Filmes, o longa é uma coprodução ítalo-brasileira com classificação indicativa de 12 anos.

Legado que atravessa gerações

Em entrevistas, Toquinho já declarou que a fama nunca foi um projeto para ele. Seu caminho foi trilhado com estudo, disciplina e parcerias que deram à MPB algumas de suas páginas mais bonitas. Aos 80 anos, com um documentário em cartaz e um repertório que continua a ser cantado em todo o país, o violonista prova que sua arte permanece tão viva quanto no dia em que encordoou seu primeiro violão.

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